A Especialidade da Variedade Regional adaptada ao Terroir

Devido ao elevado número de castas diferentes, a maioria com características regionais, foi necessário estudar na Península Ibérica o efeito do terroir na qualidade do vinho. Existem castas muito distintas com diferentes capacidades de adaptação a situações edafo‑climáticas, tais como as castas tintas Aragonez/Tempranillo e Touriga Nacional, e o Gouveio/Godello e Alvarinho ou o Arinto no caso das castas brancas. Também é conhecido que algumas variedades com aptidão para a produção de vinho de qualidade num determinado terroir não consigam produzir o mesmo vinho com a mesma qualidade noutra região distinta, como é o caso das castas tintas Rufete e Moreto e, nas brancas, o Avesso ou o Perrum. Enquanto na Espanha, em muitas regiões, foram realizadas análises de terroir com métodos científicos até à parcela de plantação, em Portugal somente a região do Douro reconheceu esta importância. Infelizmente a política de inovação governamental não reconheceu a necessidade e não atribuiu financiamento para as actividades relacionadas com o terroir e por isso, até hoje, não são conhecidos os mapas de alta resolução dos solos do país inteiro.

Apesar de a PLANSEL ter realizado alguns projectos, alguns já com o investimento inicial feito e mesmo com a colaboração e orientação de especialistas da OIV (Office International du Vin e de la Vigne), acabaram por não ser aceites. No entanto, para reconhecer a potencialidade enológica de todas as variedades existentes, muitas onde já não existem plantações, não é suficiente a plantação colectiva num reservatório varietal. Enólogos dinâmicos, como Virgílio Loureiro, encontraram cada vez mais novas castas regionais em situações específicas de terroir, contudo actualmente existe a necessidade de um estudo enológico de mais de 100 variedades, praticamente desconhecidas mas oficialmente classificadas. Há já algum tempo que existe a declaração do IVV para iniciar brevemente estudos de vinificações destas castas. Esta situação demonstra, mais uma vez, a necessidade de uma agência de inovação vitivinícola (Proposta do Monitor Group) para englobar todo o cluster de vinho numa política orientada para os critérios comerciais.

 

Projectos

  • PLANSEL/Uni Evora; DAAD – Financiamento de um estágio de Colaço do Rosário (Enólogo da Univers. Évora) na F. A Rebzucht em Geisenheim.
  • Projecto ‑ JNICT – (1986) Tecnologia para Determinação da Qualidade de Vinho Elementar das castas autóctones portuguesas. Parceiros do projecto: FH Geisenheim (RFA), Univ. Évora, PLANSEL.

 

Publicações

  • A microvinificação na selecção clonal da videira (1992), Francisco Colaço do Rosário, Hans Jörg Böhm, Paulo Laureano. Vida Rural, n.º 2/92.
  • Instalação de vinhas pés‑mães de castas brancas portuguesas (1986), Colaço do Rosário, Mota Barroso, Vida Rural, n.º 223, Jan. 86 (neste artigo foi publicado o “ranking” de provas no estrangeiro realizado por PLANSEL/Univers. Évora).
  • Die besten 1986er Fassweine Portugal (1988), Hans Jörg Böhm, Alles über Wein, n.º 2/88.

 

Divulgação

  • Simpósio na Universidade de Évora (2009), (responsável: PLANSEL com Bayer‑Crop‑Science); “Consertar o futuro”, a favor de uma investigação vitivinícola concertada e reforço da consistência varietal no encepamento adaptado ao terroir especifico. Uma alternativa natural aos vinhos do Novo Mundo.
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