Verdelho (PT)

Variedade: Branca | Categoria III | Portugal

verdelho

Ficha da Casta

Verdelho

Origem da casta: Ilhas atlânticas. Provavelmente importada da ilha mediterrânica de Creta (Cândia) no século XV, juntamente com a Malvasia e outras castas «gregas», por ordem de D. Afonso V. O Verdelho, referido na literatura por Fernandez (1531), Lobo (1790), Gyrão (1822) e quase todos os autores históricos (Ver Meneses, 1897: 819-823) como casta do Douro, não é a mesma casta aqui descrita. (No sentido da harmonização internacional, mudou o nome em 2000). Truel (1984) refere que encontrou esta casta no Douro, com o sinónimo Gouveio, na colecção ampelográfica da Régua, curiosamente com descrição e fotografias típicas da casta e claramente distinta da casta Verdelho do Dão.

Região de maior expansão: Esta casta não tem implantação física em Portugal continental, tem pouca nas ilhas da Madeira, Açores e Canárias, mas está difundida nos países do Novo Mundo vitícola, por exemplo, Austrália (1.603 ha), África do Sul e Argentina. Truel (1984) teve dificuldade em distinguir a Gouveio e a Verdelho, embora refira que viu, na colecção de Nelas (Dão), uma Verdelho branco diferente da Verdelho da Madeira, tendo podido confirmar essa diferença na colecção de F. Soares Franco (Azeitão), onde as mesmas estão lado a lado. Assim, a denominação desta casta de excelente fama internacional e de grande história nacional constitui um dos grandes enigmas vitícolas portugueses. Na legislação vitivinícola portuguesa estava mal classificada, aparecendo como sinónimo de Gouveio nalgumas zonas, erro entretanto corrigido.

Sinónimos oficiais (nacional e OIV): Não há.

Sinónimos históricos e regionais: Não há.

Homónimos: Ainda existem Verdelho Roxo (n.º 331), que é a versão rosada da Verdelho branco; Verdelho-Tinto (n.º 332), Verdejo (E), Verdello (I), todas estas castas ampelograficamente distintas. A utilização da denominação histórica Verdelho (Fernandes, 1531; Lobo, 1790; Gyrão, 1822; Vila Maior, 1875) passou, em 2000, com a necessidade de evitar homonímia, a ser substituída pela denominação Gouveio.

Superfície vitícola actual: Inexistente no continente. Nas ilhas da Madeira e Açores, estima-se a existência de cerca de 20 ha.

Utilização actual a nível nacional: Historicamente inexistente no Continente. Actualmente existem já algumas plantações com material oriundo da Madeira, mas sem garantias sanitárias.

Tendência de desenvolvimento: Provavelmente, com grande futuro.

Intravariabilidade varietal da produção: Não estudado.

Qualidade do material vegetativo: Não há.

VVMD5 VVMD7 VVMD27 VrZag62 VrZag79 VVs2
Alelo1 Alelo2 Alelo1 Alelo2 Alelo1 Alelo2 Alelo1 Alelo2 Alelo1 Alelo2 Alelo1 Alelo2
222 232 235 253 181 189 194 196 247 251 135 153

Vinho de Qualidade DOC: «Dão», «Ribatejo», «Madeira».

Vinho de qualidade IPR: «Pico», «Biscoito», «Graciosa».

Vinho regional: «Douro», «Porto», «Beiras», «Ribatejano», «Alentejano», «Açores».

Extremidade do ramo jovem: Aberta, com média pigmentação antociânica generalizada e alguma pilosidade.

Folha jovem: Verde, com alguma pigmentação antociânica. Fraca pilosidade.

Flor: Hermafrodita.

Pâmpano: Nós e entrenós com estrias vermelhas em ambas as faces, gomos com fraca pigmentação antociânica. Gavinhas médias.

Folha adulta: Média, orbicular, sub-inteira, verde médio, perfil irregular, de ondulação generalizada, rugosa; dentes médios e convexos; seio peciolar fechado, em V, com coloração antociânica nas nervuras principais junto ao ponto peciolar; seios laterais superiores abertos com base em V; página inferior com fraca densidade de pêlos prostrados.

Cacho: Pequeno a médio. Compacto.

Bago: Elíptico-curto, pequeno, verde-amarelado.

Sarmento: Castanho escuro.

Abrolhamento: Época média, 6 dias após a Fernão Pires.

Floração: Época média, 4 dias após a Fernão Pires.

Pintor: Precoce, 2 dias antes da Fernão Pires.

Maturação: Bastante precoce, 2 semanas antes da Fernão Pires.

Vigor: Moderado.

Porte (tropia): Semi-erecto (plagiotropo).

Entrenós: Bastante irregulares.

Tendência para o desenvolvimento de netas: Alguma.

Rebentação múltipla: Pouca.

Índice de fertilidade: Elevado (2 cachos/ lançamento).

Produtividade: Índice baixo com material tradicional. Com clones originários da Austrália, produtividade média (8-15 t/ha).

Estabilidade da produção (diferentes anos e localidades): Regular.

Homogeneidade de produção (entre as plantas): Uniforme.

Índice de Winkler (somatório de temperaturas activas): 1.350 horas acima de 10° C, com produção de 15 t/ha (Montemor-o-Novo).

Producção recomendada: 6.000 l/ha.

Sensibilidade abiótica: Pouco susceptível ao stress hídrico.

Sensibilidade criptogâmica: Pouco susceptível ao Míldio e ao Oídio; medianamente susceptível à Botritis.

Estado sanitário (sistémico) antes da selecção: Não foi possível encontrar, no local da sua implantação em Portugal, um clone isento dos vírus de enrolamento.

Sensibilidade a parasitas: Não estudada e sem experiência empírica.

Tamanho do cacho: Pequeno/médio (130-340 g).

Compactação do cacho: Compacto.

Bago: Pequeno (0,7-1,5 g) e de difícil destacamento.

Película: Espessa.

Nº de graínhas: 1,3-1,5 por bago.

Sistema de condução: Adapta-se a qualquer tipo de poda; a sebe é fácil de conduzir.

Solo favorável para obter qualidade: Solos profundos, com alguma humidade.

Clima favorável: Flexível, adapta-se tanto ao clima continental como ao marítimo.

Compasso: Apesar de não haver suficiente experiência com esta casta, presumivelmente suporta todos os intervalos.

Porta-enxertos: Sem experiência em Portugal continental.

Desavinho/Bagoinha: Medianamente susceptível.

Conservação do cacho após maturação: Média/boa resistência.

Protecção contra ataques de pássaros: Não estudado, mas previsível devido à precocidade da casta.

Aptidão para vindima mecânica: Boa aptidão, em fase de baixa temperatura.

Tipo de vinho: Vinho de qualidade, vinho generoso, vinho espumante.

Grau alcoólico provável do mosto: Elevado (14% vol.).

Acidez natural: Boa (5 g/l).

Sensibilidade do mosto à oxidação: Sem experiência em Portugal continental.

Sensibilidade do vinho à oxidação: Pouca.

Capacidade de envelhecimento do vinho: Considerada, na Austrália, casta com capacidade de envelhecimento.

Recomendação para lote: Pouco conhecida no continente; nas ilhas, com Sercial.

Potencial para vinho elementar: Conforme informação da Austrália, tem aptidão.

Caracterização habitual do vinho: Vinho de aspecto cítrico, com aroma de frutas exóticas, bem estruturado e equilibrado. O vinho tem boa persistência na boca e aptidão para envelhecimento. Pode ser utilizado como vinho de mesa adamado, vinho generoso, mas também como vinho de qualidade, seco.

Qualidade do vinho: Fora do país e em experimentação nacional, é considerada casta de alta qualidade.

Particularidade da casta: Casta de maior fama histórica do que importância profissional. Dá vinhos frescos e aromáticas. Tem excelente aptidão para clima quente. Nela se depositam grandes esperanças para melhoria qualitativa dos vinhos brancos de zonas quentes, em Portugal.

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