Ramisco (PT)

Variedade: Tinta | Categoria II | Portugal

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Ficha da Casta

Ramisco

Origem da casta: Telles (1790: 338) conhece uma casta (de facto, ainda hoje há duas castas) na Estremadura, mas refere com sinónimo errado: Mortágua. Seabra (1790) refere a casta. Correctamente, foi a casta mencionada por Vila Maior (1875) como casta limitada à região de Colares. Há referências anteriores ao Ramisco, na literatura inglesa. Esta casta deve ter uma história quase única, em relação a todas as outras. Devido à sua técnica de cultivo, tem sobrevivido até hoje à filoxera. É plantada em solos abaixo de 4 - 8 m de areia, em pé franco, em currais com condução rasteira, instalada com técnicas extremamente perigosas para os viticultores. Há plantações históricas que têm sobrevivido até hoje, há mais de 100 anos, ao flagelo americano que não conseguiu atingir as raízes.

Região de maior expansão: Colares. Historicamente, a casta foi ligada à denominação da região.

Sinónimos oficiais (nacional e OIV): Ramisco de Colares.

Homónimos: Existe ainda a casta com o n.º oficial 248, «Ramisco Tinto».

Superfície vitícola actual: 25 ha.

Utilização actual a nível nacional: O Vinho Ramisco, limitado à zona de areia de Colares, perdeu a sua existência basicamente pela concorrência da construção civil. A casta, de grande interesse enológico devido à sua elevada acidez natural, existe experimentalmente enxertada em porta-enxerto americano, em campos de ensaio, entre outros locais, no Alentejo. Mas, desde há muito tempo, havia muito poucas plantações novas na sua própria região.

Tendência de desenvolvimento: É pouco viável a sobrevivência desta casta, do ponto de vista económico, na sua região. A migração dependerá dos resultados de estudos de adaptação com porta-enxertos americanos.

Intravariabilidade varietal da produção: Não estudada.

Qualidade do material vegetativo: Material policlonal RNSV (infectado com GLRaV 3) e clone de saneamento meristemal JBP.

VVMD5 VVMD7 VVMD27 VrZag62 VrZag79 VVS2
Alelo1 Alelo2 Alelo1 Alelo2 Alelo1 Alelo2 Alelo1 Alelo2 Alelo1 Alelo2 Alelo1 Alelo2
226 238 235 259 181 185 188 196 247 251 135 159

Vinho de Qualidade DOC: «Colares».

Vinho regional: «Estremadura».

Extremidade do ramo jovem: Aberta, com orla carmim de fraca intensidade, forte densidade de pêlos prostrados.

Folha jovem: Verde com tons bronzeados, página inferior com forte densidade de pêlos prostrados.

Flor: Hermafrodita.

Pâmpano: Estriado de vermelho, mais intenso nos nós, com gomos ligeiramente vermelhos.

Folha adulta: De tamanho médio, pentagonal, com cinco lóbulos; limbo verde médio, ligeiramente irregular, medianamente bolhoso, página inferior com média densidade de pêlos prostrados e de pêlos erectos; dentes médios e convexos; seio peciolar com lóbulos muito sobrepostos, em V, e seios laterais fechados, com base em U.

Cacho: Médio, cilindro-cónico, medianamente compacto, pedúnculo de comprimento médio.

Bago: Arredondado, pequeno e negro-azul; película de espessura média, polpa de consistência média.

Sarmento: Castanho escuro.

Abrolhamento: Tardio, 12 dias após a Castelão.

Floração: Tardia, 8 dias após a Castelão.

Pintor: Muito tardio, 17 dias após a Castelão.

Maturação: Tardia, duas semanas após a Castelão.

Vigor: Médio.

Porte (tropia): Plagiotropo.

Entrenós: Grandes.

Tendência para o desenvolvimento de netas: Elevada.

Rebentação múltipla: Acontece regularmente.

Índice de fertilidade: Não estudado.

Produtividade: Mediana (5.000 - 12.000 kg).

Estabilidade da produção (diferentes anos e localidades): Regular.

Homogeneidade de produção (entre as plantas): Uniforme.

Índice de Winkler (somatório de temperaturas activas): 1.800 horas acima de 10º C, com produção de 8 t/ha (Montemor-o-Novo).

Producção recomendada: 5.000 l/ha.

Sensibilidade abiótica: Não específica.

Sensibilidade criptogâmica: Não específica.

Estado sanitário (sistémico) antes da selecção: Completamente infectado com GLRaV 3, e RSPV.

Sensibilidade a parasitas: Devido à forma de cultivo, apenas a pequenos animais.

Tamanho do cacho: Médio (250 g).

Compactação do cacho: Solto.

Peso do cacho: 160 g.

Bago: Médio.

Película: Espessa.

Nº de graínhas: Elevado (3,2 por bago).

Sistema de condução: Tradicional para esta casta, isto é, deitado no chão de areia. Bem adaptado ao cordão bilateral, com intervalo na entrelinha mas elevado.

Solo favorável para obter qualidade: Prefere solos férteis, profundos, debaixo de uma cobertura de areia, quando plantado a pé franco. No caso de enxertia, adapta-se a todos os tipos de solo.

Clima favorável: Marítimo.

Compasso: Existe pouca experiência, devido à sua particularidade de condução, adaptando-se a todos tipos de compasso.

Porta-enxertos: Não é tradicional; experimentalmente, tem boa afinidade com todos porta-enxertos.

Desavinho/Bagoinha: Bastante resistente.

Conservação do cacho após maturação: Boa.

Protecção contra ataques de pássaros: Pouco necessária.

Aptidão para vindima mecânica: Teoricamente elevada.

Tipo de vinho: Vinho de qualidade, desde que com estágio muito prolongado.

Grau alcoólico provável do mosto: Médio (11 - 12% vol.).

Acidez natural: Muito elevada (superior a 6 g/l).

Autocianinas totais: 638 mg de Malvidina/l (experimental no Alentejo).

Índice de polifenóis totais (280nm) do mosto: Não estudado.

Sensibilidade do mosto à oxidação: Não tem.

Intensidade da cor: Média.

Tonalidade: Rubi com reflexos acastanhados.

Sensibilidade do vinho à oxidação: Não tem.

Capacidade de envelhecimento do vinho: Muito alta (muitas décadas). Boa aptidão para envelhecimento em madeira.

Recomendação para lote: Casta tradicionalmente elementar. Há uma capacidade latente elevada de lote com castas de baixa acidez natural, por exemplo, Aragonez.

Potencial para vinho elementar: Necessita de muitos anos de estágio, mas depois apresenta um valor enológico muito elevado.

Caracterização habitual do vinho: De verdadeiros «carrascões» enquanto jovens, transformaram-se em vinhos elegantíssimos, de cor rubi com reflexos acastanhados, aromáticos, de onde sobressaem notas de carne fresca, cogumelos, por vezes terra molhada, resina e madeira de cedro. Por trás da sua aparente fragilidade e da sua baixa graduação alcoólica, revela-se de uma personalidade ímpar, que o tornou um dos mais originais e carismáticos vinhos portugueses (Loureiro, 2002).

Qualidade do vinho: Muito elevada.

Particularidade da casta: A casta tem a particularidade histórica de ser plantada em solo de areia, perto do mar. Está protegida por currais ou paredes de cana onde é plantada a pé franco, com condução rastejante no chão. Em 1985 encontrou-se uma planta em Azenhas do Mar, em condução rasteira, com uma superfície de cerca de 100 m2. O vinho desta casta tem elevadíssima acidez, pelo que consegue uma longevidade enorme, mas precisa de muitos anos de estágio para ficar apto ao consumo.

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