Touriga-Franca (PT)

Variedade: Tinta | Categoria II | Portugal

tourigafranca

Ficha da Casta

Touriga-Franca

Origem da casta: Norte de Portugal, provavelmente não muito antiga, sem relação com uma casta francesa, conforme Truel (1983/4). Casta muito aparentada com a Touriga Nacional. Almeida (1990/98) presume que a casta historicamente mencionada como Tinta da França e Tinta Francesa será a mesma. A denominação Touriga Francesa originou-se nos anos 40 do último século. A actual denominação decorre da lista oficial das castas, pela Portaria 428 do ano 2000.

Região de maior expansão: Douro. É a casta de maior expressão na região (18,6%).

Sinónimos oficiais (nacional e OIV): Não há.

Sinónimos históricos e regionais: Em 2000 a Touriga Francesa foi renomeada como Touriga Franca. Lobo (1790) e Fonsecca (1791) só falam da Touriga ou do Tourigo. Gyrão (1822) refere que «há três castas Touriga»: Touriga Fina, Tourigão e Touriga Foufeira, mas não conhece esta actual denominação. Vila Maior (1865) refere também que «na quinta do Vesúvio há d’ela diferentes variedades». Costa (1900) refere as mesmas três castas. Nas publicações ampelográficas do boletim da Direcção Geral de Agricultura, de 1896 e 1900, Menezes refere 10 diferentes Tourigas. Também Carvalho, em 1912, menciona a casta. Vasconcellos, em 1941 (Revista Agronómica), conhece a Touriga Francesa como casta independente. Assim, não é certo afirmar que esta casta esteja ligada às designações anteriormente referidas. Provavelmente, serão todas castas distintas da Touriga Franca. Esta, pela sua baixa variação genética, faz-nos suspeitar duma existência recente (Magalhães, 2006, comunicação pessoal).

Homónimos: Não conhecidos.

Superfície vitícola actual: 13.200 ha.

Utilização actual a nível nacional: 5,8%.

Tendência de desenvolvimento: Crescente, devido à migração da casta para o sul do país.

Intravariabilidade varietal da produção: Média-baixa.

Qualidade do material vegetativo: Material policlonal RNSV; clone 24 JBP.

VVMD5 VVMD7 VVMD27 VrZag62 VrZag79 VVS2
Alelo1 Alelo2 Alelo1 Alelo2 Alelo1 Alelo2 Alelo1 Alelo2 Alelo1 Alelo2 Alelo1 Alelo2
226 228 235 239 181 183 192 194 245 247 145 153

Vinho de Qualidade DOC: «Porto», «Douro», «Távora-Varosa», «Bairrada», «Óbidos», «Alenquer», «Arruda», «Torres Vedras», «Ribatejo», «Lagoa».

Vinho de qualidade IPR: «Valpaços», «Planalto Mirandês».

Vinho regional: «Trás-os-Montes», «Beiras», «Estremadura», «Ribatejano», «Terras do Sado», «Alentejano», «Algarve».

Extremidade do ramo jovem: Aberta, com pigmentação antociânica média, generalizada, e média a forte densidade de pêlos prostrados.

Folha jovem: Verde com zonas acobreadas, página inferior com média densidade de pêlos prostrados.

Flor: Hermafrodita.

Pâmpano: Ligeiramente estriado de vermelho, gomos ligeiramente avermelhados.

Folha adulta: Média, orbicular, sub-inteira (o que a distingue da «Touriga Nacional», que tem a folha quinquelobada); limbo verde escuro, plano, ligeiramente ondulado entre nervuras, bolhosidade elevada, página inferior com baixa densidade de pêlos prostrados; dentes curtos e convexos; seio peciolar fechado, base em V, seios laterais abertos em V.

Cacho: Médio, cónico-alado, compacto, pedúnculo curto.

Bago: Arredondado, médio, negro-azul, película medianamente espessa, polpa mole.

Sarmento: Castanho-amarelado.

Abrolhamento: Precoce, 4 dias após Castelão.

Floração: Precoce, 1 dia após a Castelão.

Pintor: Precoce, 11 dia após a Castelão.

Maturação: Época média, uma semana após a Castelão. É menos ácida (cerca de 3 g/l de ácido tartárico) que a «Touriga Nacional».

Vigor: Médio/elevado.

Porte (tropia): Semi-erecto.

Entrenós: Médios.

Tendência para o desenvolvimento de netas: Sim, regularmente.

Índice de fertilidade: Baixo-médio, entre 1,5 e 1,7 inflorescências por gomo abrolhado.

Produtividade: Elevada (8.000-16.000 kg/ha). Valores RNSV: 2,6 kg/pl (média de, no mín., 40 cultivares, registada em Vila Flor, durante 4 anos).

Estabilidade da produção (diferentes anos e localidades): Regular.

Homogeneidade de produção (entre as plantas): Uniforme.

Índice de Winkler (somatório de temperaturas activas): 1.500 h acima de 10° C com 11 t/ha de produção (Montemor-o-Novo). De período vegetativo longo, em zonas quentes alcança a maturação desejada, dificilmente com a produção máxima, mas normalmente média a elevada, dependendo das condições climáticas de Setembro.

Producção recomendada: Para vinho de alta categoria, menos de 6.000 kg/ha; para vinhos de mesa ou rosados, menos de 10.000 kg/ha.

Sensibilidade abiótica: Casta robusta.

Sensibilidade criptogâmica: Certa sensibilidade à podridão cinzenta.

Estado sanitário (sistémico) antes da selecção: 80% GLRaV3, 10% GVA, <50% RSNV.

Sensibilidade a parasitas: Muito sensível à Traça; bastante tolerante à Cigarrinha Verde.

Tamanho do cacho: Médio/grande (200-300 g).

Compactação do cacho: Medianamente compacto até compacto, conforme disponibilidade hídrica.

Bago: Médio (1,50-2,50 g), com polpa de consistência firme.

Película: Medianamente espessa, por vezes grossa.

Nº de graínhas: Elevado, 2,8-3,1 por bago.

Sistema de condução: Adapta-se bem a qualquer sistema de condução, mesmo com poda curta, já que a produtividade é sempre satisfatória. Devido ao seu porte erecto, é fácil de conduzir em verde (desponta mecânica).

Solo favorável para obter qualidade: Evitar solos muitos férteis, profundos e húmidos, que comprometem o grau alcoólico.

Clima favorável: De preferência em cotas de baixa altitude e boa exposição, seco e quente ao quadrante Sul, SW e Poente, na altitude dos 300 m, pois suporta bem forte radiação.

Compasso: Devido aos seus hábitos vegetativos, adapta-se bem aos compassos inerentes a diferentes formas e sistemas de condução.

Porta-enxertos: Adapta-se bem a quase todos os porta-enxertos, considerando a adaptação destes ao solo.

Desavinho/Bagoinha: Menos sensível ao desavinho que a Touriga Nacional.

Conservação do cacho após maturação: Relativamente elevada.

Protecção contra ataques de pássaros: Deverá ser protegida devido à fase tardia da maturação.

Aptidão para vindima mecânica: Deve vindimar-se com temperaturas baixas, para evitar a oxidação do mosto.

Tipo de vinho: Vinho de qualidade, vinho do Porto e vinho rosado.

Grau alcoólico provável do mosto: Médio (12-14% vol.). Reduzido, em zonas húmidas. Valores RNSV: 11,35% vol. (média de, no mínimo, 40 cultivares, registada em Tabuaço, durante 5 anos).

Acidez natural: Mediana (3,5-4,5 g/l de acidez tartárica). Valores RNSV: 3,94 g/l (média de, no mínimo, 40 cultivares, registada em Tabuaço, durante 5 anos).

Autocianinas totais: Universidade de Évora (Alentejo, 2004/5): 1.617,2 mg/l; Valores RNSV: 726,67 mg/l (média de, no mínimo, 40 cultivares, registada em Tabuaço, durante 5 anos).

Índice de polifenóis totais (280nm) do mosto: 89,68. Valores RNSV: 31,33 (média de, no mínimo, 40 cultivares, registada em Tabuaço, durante 5 anos).

Sensibilidade do mosto à oxidação: Grande.

Intensidade da cor: 5,8-25,62 (varia extremamente com o ano).

Tonalidade: 0,66-0,82. Tons vermelhos ou acastanhados

Taninos: Não analisados.

Índice de polifenóis totais (280nm) do vinho: 2,2-2,5 g/l.

Sensibilidade do vinho à oxidação: Vinho com grande tendência para a oxidação, sendo necessária protecção antioxidante (Almeida, 1990/98). Outros autores (Centro de Estudos da Régua) defendem pouca tendência.

Análise laboratorial dos aromas: (Análise no Douro/2003) Compostos precursores do aroma – Tem concentrações totais de terpenos livres (248 μg/l) responsáveis pelos aromas florais. Destacam-se, com 158,5 μg/l, o Nerol; com 52,9 μg/l, o Geraniol; com 20,7 μg/l, o Citronelol 12,8 μg/l, e em Norisoprenóides tem valores ao nível da Touriga Nacional.

Capacidade de envelhecimento do vinho: Geralmente boa, com particular aptidão para envelhecimento em madeira.

Recomendação para lote: Com castas nobres do Douro.

Potencial para vinho elementar: Excelente aptidão.

Caracterização habitual do vinho: O aroma é geralmente intenso, com um toque floral evidente a rosas e um aroma frutado a esteva apenas nos bom anos. É um vinho com taninos e fruta bem equilibrados, mas sem ser excepcional. No final da boca deixa um gosto bastante frutado e persistente. Enche bem a boca, dando a sensação de vinho encorpado e de boa estrutura, mas com pouca elegância (Almeida, 1990/98, Douro).

Qualidade do vinho: Apesar de a casta ser considerada uma das importantes castas do Douro, reconhece-se, em condições edafo-climáticas menos favoráveis, ou no caso de produções acima de 10.000 kg/ha, uma acentuada queda da qualidade do vinho. Alguns enólogos têm dúvida se esta casta corresponde à categoria das castas de elite, enquanto outros a consideram, quando em terroir adequado, como uma das castas de maior aptidão para vinhos de qualidade.

Particularidade da casta: Reconhece-se facilmente pelas folhas verde-escuro, com enrugamento pronunciado e a forma tipo Touriga. Casta produtiva, com elevada intensidade corante, especialmente para lote. A resistência do cacho ao calor permite que a uva amadureça sem grande estrago.

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